quarta-feira, 8 de julho de 2009

Biografia


Iniciou sua carreira no início dos anos 1950, como crooner da orquestra de Osmar Milani, na capital paulista. Nessa época, chegou a participar de alguns programas de calouros. Em 1951, por indicação do trompetista José Luís, foi contratado pela Rádio América de São Paulo. Anos depois, seria contratado pela Rádio Nacional paulista. Gravou o primeiro disco em 1953 pelo selo Star com o samba "Rasga teu verso", de Sereno e Manoel Ferreira.

Em 1955, atuou na Rádio América de São Paulo e depois foi ao Rio de Janeiro para cantar com Ângela Maria, Sílvia Telles e a Orquestra Tabajara, na Rádio Mairynk Veiga. No mesmo ano, assinou contrato com a gravadora Polydor e lançou a toada "O vendedor de laranjas", de Albertinho e Heitor Carilo e o fox "A última vez que vi Paris", de J. Kern com versão de Haroldo Barbosa. Em 1956, gravou seu primeiro sucesso: a valsa "Meu benzinho", de Hawe, Gussin e Caubi de Brito. Por conta dessa música, recebeu os troféus Roquette Pinto e Disco de Ouro. Também no mesmo ano, gravou a primeira composição de sua autoria, o samba "Vai sofrendo", parceria com Vicente Lobo e Osvaldo Morige. Nesse mesmo ano, recebeu seu primeiro Disco de Ouro.

Em 1957, gravou com acompanhamento da orquestra de Valdomiro Lemke os sambas canção "Chove lá fora", de Tito Madi e "Maria dos meus pecados", de Jair Amorim e Valdemar de Abreu. No mesmo ano, gravou a marcha "Maria Shangay", do jornalista e colunista social Ibrahim Sued, Alcyr Pires Vermelho e Mário Jardim. Também em 1957, lançou pela Polydor o LP "Uma voz e seus sucessos", trazendo entre outras, "Desolação", de Othon Russo, "O amor não tem juízo", de Fernando César e "Esquecimento", de Fernando César e Nazareno de Brito. Nesse ano, recebeu seu segundo Disco de Ouro.

Em 1958, gravou com a orquestra de Valdomiro Lemke os sambas canção "Por causa de você" e "Estrada do sol", de Tom Jobim e Dolores Duran e "Se todos fossem iguais a você", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Foi agraciado no mesmo ano com seu terceiro Disco de Ouro.

No mesmo ano, transferiu-se para a RGE e lançou a valsa "Meu castigo", de Onildo Almeida e o samba canção "Doi muito mais a dor", de Vadico e Edson Borges com acompanhamento da orquestra RGE dirigida por Enrico Simonetti. Também no mesmo ano, gravou os sambas canção "Chega de saudade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e "Balada triste", de Dalton Vogeler e Esdras Silva, com os quais fez grande sucesso. Lançou também no mesmo período o LP "Agostinho espetacular", com obras como: "Um olhar, um sorriso", de Guerra Peixe, "Tu és a dona de tudo", de Nazareno de Brito e Alcyr Pires vermelho e "Forças ocultas", de sua parceria com Antônio Bruno. Também em 1958, lançou o LP "Antônio Carlos Jobim e Fernando César na voz de Agostinho dos Santos", no qual interpretou, entre outras, "Eu não existo sem você", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e "Foi a noite", de Tom Jobim e Newton Mendonça e "Graças a Deus" e "Segredo", de Fernando César. Por causa desse elepê, recebeu o convite de Tom Jobim e Vinícius de Morais para ser o intérprete da trilha de ambos para o filme "Orfeu do carnaval", de Marcel Camus, que lhe rendeu dois grandes sucessos: "Manhã de carnaval", de Luiz. Bonfá e Vinicius de Moraes e "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Em 1959, gravou os sambas canção "Canção de amor" e "Manhã de carnaval", de Luiz Bonfá e Antonio Maria e "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, todos com grande sucesso. Gravou também a "Balada do homem sem Deus", de sua autoria e Fernando César com acompanhamento da orquestra RGE regida por Enrico Simonetti. No mesmo ano, gravou o LP "O inimitável Agostinho", também pela RGE, disco que incluía sucessos como "Hino ao sol", de Tom Jobim e Billy Blanco, "Eu sei que vou te amar", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, "Fim de caso", de Dolores Duran e "Feitio de oração", de Noel rosa e Vadico. Nesse ainda, recebeu seu quarto Disco de Ouro consecutivo.

Em 1960, gravou os sambas canção "Cantiga de quem está só", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, "Leva-me contigo", de Dolores Dura e os sambas "Saudade querida", de Tito Madi e "Chuva para molhar o sol", de sua autoria e Edson Borges. No mesmo ano, lançou o LP "Agostinho, sempre agostinho", com "Amor em paz", de Tom jobim e Vinicius de Moraes, "Dindi", de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira e "Na solidão da noite", de Tom Jobim.

No ano seguinte, gravou o samba canção "Nossos momentos", de Haroldo Barbosa e Luiz Reis e o samba "Distância é saudade", de sua autoria. Nesse mesmo ano, a RGE lançou o LP "Agostinho canta sucessos", que trazia sucessos da época como "Mulher de trinta", de Luiz Antônio, "Por quem sonha Ana Maria", de Juca Chaves, "Serenata suburbana", de Capiba e "Negue", de Enzo de Almeida Passos e Adelino Moreira.

Em 1962, gravou o cha cha cha "Eu e tu", da dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia, o fox "Suave é a noite", de Webster e Fain, com versão de Nazareno de Brito e o bolero "Aqueles olhos verdes", de Menendez e Utrera, com versão de Braguinha. No mesmo ano, participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York (EUA), como cantor, acompanhado pelo conjunto de Oscar Castro Neves. Também no mesmo ano, saiu o LP "Presença de Agostinho", com "Nossos momentos", de Luiz Reis e Haroldo Barbosa, "Mãos calmas", de Luiz Bonfá e Ronaldo Bôscoli e "canção para acrodar você", de Tito Madi.

Em 1963, gravou em dueto com a cantora Rosana o "Samba em prelúdio", de Vinicius de Moraes e Baden Powell. No mesmo ano, lançou o LP "Vanguarda", no qual interpretou várias composições da dupla Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, tais como "Além da imaginação", "Amor a 120", "Tefefone" e "Negro".

Fez várias excursões ao exterior, tendo se apresentado no Chile, Argentina, México, Itália, Portugal e nos Estados Unidos, onde cantou ao lado de Johnny Mathis. Na Itália atuou ao lado da cantora Caterina Valente, grande sucesso na época. Em 1966, lançou pelo selo Elenco o LP "Agostinho dos Santos", com destaque para "O canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinicius de Moraes, "Arrastão", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, "Favelado", de Zé Kéti e "Preciso aprender a ser só", de Paulo Sergio Valle e Marcos Valle.

Em 1967, gravou o elepê "Música nossa", pelo selo Ritmos/Codil no qual interpretou "Travessia", de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que ele havia indicado, juntamente com "Maria minha fé" e "Morro Velho", ambas também de Milton Nascimento ao diretor artístico do II FIC, do Rio de Janeiro, o maestro Elmir Deodato, o que transformaria no primeiro padrinho artístico do futuro astro da MPB. Este disco incluía ainda "Ponteio", de Capinan e Edu Lobo, "Carolina", de Chico Buarque e "Oferenda", de Lenita e Luiz Eça e "Sim pelo não", de Alcivando Luz e Carlos Coquejo, com a participação especial da então iniciante Beth Carvalho. Ainda naquele ano, alavancou a participação de Milton Nascimento no II FIC, prestigiando o então desconhecido cantor e compositor em inúmeras entrevistas em que o considerava a "grande revelação da nova MPB". Participou, em 1968, do III FIC, da TV Globo (RJ), ocasião em que interpretou a música "Visão", de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar.

Em 1970, gravou pelo selo London/Odeon o LP "Agostinho dos Santos", no qual interpretou "O diamante cor de rosa", de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, "Pra dizer adeus", de Edu lobo e Torquato neto e "Felicia", de José Jorge e Ruy Maurity.

Teve rápida passagem pelo rock'n'roll nos anos 1950, gravando "Até logo, jacaré", versão de Júlio Nagib para "See you later, alligator", de Bill Halley & His Comets. Gravou 25 discos em 78 rpm, pela Star e RGE. Curiosamente, uma de suas últimas gravações foi "Avião", de Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Hélio Mateus. Em 1973, a Continental lançou LP que levou seu nome e que trazia entre outras, "O amor está no ar", de sua parceria com Joab Teixeira, além de antigos sucessos. Em julho de 2008, o jornal do Brasil publicou reportagem com sua filha Nancy dos Santos, proprietária do bar "Ferradura", na cidade paulista de São José dos Campos que virou um espaço de preservação da memória do cantor com a exibição de capas de discos, fotos e documentos sobre sua carreira. Nancy dos Santos foi parceira do pai na música "Paz sem cor", que seria apresentada pelo cantor num festival de música que seria realizado na Grécia. Ela, no entanto, não embarcou com o pai que acabaria vitimado no acidente aéreo no aeroporto de Orly na França. Além de prestar tributo à memória do pai, Nancy dos Santos reivindica que haja um maior reconhecimento sobre a importância artística e histórica do cantor, lembrando que ele foi o mais aplaudido artista no histórico show realizado no Carnegie Hall em 1962.

6 comentários:

  1. Olá Thiago,
    Fui muito amigo de seu pai e o acompanhei ao violão em várias oportunidades. Tenho inclusive um "causo" muito engraçado, ocorrido em São Paulo em 1967, na noite da inauguração do Play-Boy Clube, na Rua Augusta. Quem estava presente era o famoso cantor americano Chris Montez. Agostinho resolveu dar uma canja e subimos ao palco, junto com o grande pianista HARETON SALVANINI. O Chris Montez ficou louco com o som que rolou e queria nos levar todos com ele para os USA...
    Tem alguns errinhos nas fotos aí em cima.
    Onde diz que é o Agostinho com o Oscar Castro Neves, não é o OSCAR, que é muito diferente do sujeito de bigodes...
    E na foto onde diz que é o Agostinho com o Zimbo Trio e Luiz Bonfá no Violão, na verdade é o trio do OSCAR CASTRO NEVES e o violonista é HENRY PERCY WILCOX.
    Um abraço e parabéns pelo blog.
    Carlos Braga

    Visite meu blog CBvocalgroups.blogspot.com

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  2. Oi Thiago,
    Desculpe a confusão entre filho e neto...
    Tem mais duas historinhas do Agostinho, em New York, por ocasião do show no Carnegie Hall.
    1. Esta já foi contada pelo Ruy Castro no livro "Chega de Saudade": o chofer de taxi que levou o Agostinho do Aeroporto até o Hotel, RECONHECEU a voz do Agostinho, pois a mulher dele adorava o disco em que seu avô cantava as músicas do "Orfeu da Conceição". Pediu um autógrafo mas não refrescou: COBROU A CORRIDA.

    2. A outra história me foi contada pelo guitarrista Henry Percy e pelo baterista Roberto Pontes, do quarteto do Oscar Castro Neves. O Agostinho todos os dias ao pedir o café da manhã no Hotel, exigia uma MAÇÃ e um OVO MEXIDO. Mas pedia em português, pois não falava inglês. Como o garçon não entendeu o pedido, o Agostinho foi lá, pegou uma maçã, mostrou pro cara e soletrou MA-ÇÃ, M-A-Ç-Ã. E fez o mesmo com o ovo: O-V-O = OVO...O garçon aprendeu direitinho e no segundo dia trouxe os pedidos, dizendo: Good morning sir: enjoy your OVO and MAÇÃ.
    Um abraço,
    Carlos Braga

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  3. BRASIL! UM PAIS SEM MEMORIA! COMO ESQUECER agostinho dos santos!que voz que interpretaçao!que bom GOSTO MUSICAL!AGOSTINHO! OBRIGADO POR VOCE TER EXISTIDO!

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  4. Esquecer Agostinho dos Santos, como intérprete e poeta de todas as gerações - pois ele é sempre atual - é o mesmo que esquecer o jogador Pelé. Agostinho me animou a juventude e, por causa dele, até hoje, com 62 anos, ainda rabisco os meus poemas. Só não sei cantar. Geraldo Generoso - Ipaussu sp

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  5. Parabéns pelo Blog, caro Thiago!
    A memória de Agostinho dos Santos tem que ser perpetuada. Fiz algumas indagações em seu canal youtube. Espero que consiga retorno. Abraço do lucianohortencio

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